Se você viveu a era das locadoras ou tem um carinho especial por filmes que parecem ter sido feitos “na base da coragem”, Palhaços Assassinos do Espaço Sideral (1988) é praticamente um abraço nostálgico em forma de VHS. Com um título que já entrega tudo — e ao mesmo tempo não explica absolutamente nada — o longa se tornou um símbolo perfeito do chamado trash movie: baixo orçamento, atuações duvidosas, efeitos especiais questionáveis e uma história que ignora qualquer compromisso com a lógica. E, ainda assim… funciona. E diverte como poucos.
Aqui, o absurdo não é um defeito, é a essência. Palhaços alienígenas que atacam humanos com armas que parecem brinquedos de parque de diversões, naves em formato de circo e uma mistura delirante de terror com comédia que jamais se leva a sério. Palhaços Assassinos do Espaço Sideral é aquele tipo de filme que não pede desculpas por ser ruim — pelo contrário, ele abraça o exagero, o ridículo e o nonsense com orgulho. Um clássico cult que prova que, às vezes, não fazer sentido nenhum é exatamente o que torna um filme inesquecível
Para quem atravessou as madrugadas da televisão aberta nos anos 80 e 90, Palhaços Assassinos do Espaço Sideral (Killer Klowns from Outer Space, 1988) não é apenas um filme — é uma lembrança afetiva. Um daqueles títulos que a gente esbarrava quase por acaso, zapeando a programação noturna da Band, seja no inesquecível Cine Mistério ou, anos depois, consagrado como figurinha carimbada do Cine Band Trash. Antes de virar “clássico cult”, ele já causava estranhamento, riso nervoso e aquela sensação deliciosa de estar assistindo a algo completamente fora da curva.
Produzido, escrito e dirigido pelos irmãos Charles, Edward e Stephen Chiodo, o filme é um legítimo exemplar do cinema B oitentista: baixo orçamento assumido, mistura improvável de ficção científica com comédia de terror e uma trama que não faz a menor questão de parecer plausível. Tudo aqui soa exagerado, reciclado e até familiar — do fazendeiro que vai investigar um objeto caído do céu (ecoando A Bolha Assassina), passando pelos adolescentes que tentam alertar autoridades incrédulas, até os humanos presos em estranhos “casulos”, lembrando Invasores de Corpos. Os clichês estão todos ali, sem pudor. Mas o charme está justamente na forma como são reapresentados: com criatividade, humor involuntário e uma imaginação visual que compensa qualquer limitação técnica.
O grande trunfo do filme, sem dúvida, são os próprios palhaços. Cada aparição deles é magnética. Há algo de perturbador e, ao mesmo tempo, fascinante em suas expressões fixas, nos movimentos calculados e naquele olhar que parece seguir o espectador. São monstros que matam — mas que a gente assiste quase com encantamento. Isso se deve à escolha inteligente dos Chiodo de evitar expressões humanas convencionais: os rostos das criaturas foram construídos com partes articuladas, permitindo reações mecânicas, porém estranhamente críveis. O resultado é um desfile de figuras grotescas e memoráveis, que grudam na memória muito depois dos créditos finais.
Rever Palhaços Assassinos do Espaço Sideral hoje é reencontrar um tempo em que o terror podia ser tosco, colorido e absurdamente divertido, sem precisar se explicar ou pedir desculpas. Um filme que talvez não faça sentido algum — mas que, para quem viveu aquela época, faz todo o sentido do mundo.
"- Sério! Palhaços vampiros que bebem sangue de canudos divertidos? Isso não tem como dar errado! Tome meu dinheiro e faça o filme!"
Eu daria um Oscar a este homem!
Tem mais coisas muito toscas mas não vou dar spoiler!
Assistam e se divirtam. Quem gosta de critters, tomates assassinos... Vai amar !
Nota 8/10
Texto de autoria de: Ricardo Alves Viana
Palhaços Assassinos foi lançado nos cinemas americanos em maio de 1988, um filme B que fez sua fama no circuito “alternativo“, transformando-se em programa “cult” nos drive-inns, onde era exibido em sessão dupla com outros filmes de “mais destaque“, tipo Rambo 3 (!!!). Ao ser lançado em VHS (no Brasil, saiu selado no começo dos anos 90 pela extinta Alvorada Vídeo), Palhaços Assassinos rapidamente se tornou um clássico TRASH ao lado de títulos como: O Ataque dos Tomates Assassinos e O Vingador Tóxico. Os brasileiros começaram a curtir o filme principalmente após as inúmeras reprises no Cine Trash, mas até hoje esperam pelo seu relançamento em DVD. Lá fora, a produção ganhou uma edição de luxo lançada pela MGM em 2001, com vários extras esmiuçando o processo de criação e desenvolvimento do filme, cenas excluídas e até uma faixa de comentários com os irmãos Chiodo.
Título Original:Killer Klowns from Outer Space
Ano:1988•País:EUA
Direção: Stephen Chiodo
Roteiro: Charles Chiodo, Stephen Chiodo
Produção: Charles Chiodo, Edward Chiodo, Stephen Chiodo
Elenco: Grant Cramer, Suzanne Snyder, John Allen Nelson, John Vernon, Michael S. Siegel, Royal Dano, Christopher Titus, Irene Michaels, Aeron Macintyre, Danny Kovacs
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