SINOPSE: Travesseiro de Pedra é um telefilme dramático americano lançado em 5 de novembro de 1985 pela rede CBS. Ele conta a história de Carrie Lange, uma jovem assistente social idealista que tenta compreender a dura realidade das mulheres sem-teto em Nova York. Em seu trabalho de campo, ela conhece Florabelle (Lucille Ball), uma mulher idosa que vive nas ruas e reluta em aceitar ajuda. Ao longo do filme, Carrie aprende com Florabelle as estratégias — por vezes duras e improváveis — de sobrevivência na vida urbana como pessoa desabrigada, descobrindo que as lições humanas que recebe são tão profundas quanto os desafios enfrentados nas ruas.
Caso deseje ter acesso ao filme completo,
Título Original: Stone Pillow
Ano: 1985 (estreou em 5 de novembro nos EUA)
Emissora: CBS
Diretor: George Schaefer
Produtores: George Schaefer e Merrill H. Karpf.
Trilha Sonora: Georges Delerue
Direção de Fotografia: Walter Lassally
OPNIÃO
TRAVESSEIRO DE PEDRA é uma daquelas obras que surpreendem justamente por romper com tudo aquilo que o público esperava de uma comediante. Conhecida mundialmente pelo riso fácil e pela comédia física, Lucy Ball entrega aqui uma atuação silenciosa, áspera e profundamente humana. Aos 74 anos, ela abandona qualquer vestígio de glamour para viver Florabelle, uma mulher em situação de rua na Nova York dos anos 80, compondo a personagem com dignidade e contenção, sem caricaturas ou apelos fáceis. O resultado é um retrato comovente da sobrevivência cotidiana e, ao mesmo tempo, um poderoso comentário sobre a invisibilidade social.
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Confesso que na época, eu sequer soube da existência desse longa, mas ao assistir esse filme hoje, experimentei um exercício de empatia e humanidade. O filme captura uma cidade distante do romantismo cinematográfico, revelando seu lado cru, enquanto evidencia o talento dramático de uma atriz que não precisava mais provar nada pra ninguém, mas que ainda assim escolheu se arriscar. Resgatado graças aos arquivos digitais e ao esforço de cinéfilos, o longa permanece atual não apenas como peça nostálgica, mas como uma aula de atuação e humildade que reafirma Lucille Ball como muito mais do que a rainha da comédia.
- O filme foi um sucesso estrondoso de audiência na época, ficando em 9º lugar entre todos os programas exibidos naquela semana nos Estados Unidos. O público estava ansioso para ver se a "Lucy" conseguiria entregar um drama pesado — e ela entregou.
- Para se preparar para o papel, Lucille Ball vestiu-se com roupas velhas e maltrapilhas e caminhou pelas ruas de Nova York para entender a rotina das mulheres sem-teto antes das filmagens. Ela ficou orgulhosa (e um pouco chocada) por ninguém a ter reconhecido, comprovando a invisibilidade das pessoas em situação de rua.
- O filme foi rodado durante um intenso verão, porém a trama acontece no inverno. Ou seja, Lucille Ball, então com 74 anos, usando casacos grossos, filmou nas locações reais (ruas e estações de metrô) o que resultou em uma grave desidratação que logo evoluiu para uma pneumonia. Aos 74 anos, o desgaste foi imenso e ela chegou a precisar de cuidados médicos, o que gerou muita preocupação na equipe sobre sua capacidade de terminar o filme.
- Pela primeira vez em décadas, o público não viu os famosos cabelos ruivos perfeitamente penteados de Lucy. Ela usou uma peruca cinza, desgrenhada e suja, além de maquiagem para simular dentes estragados e pele castigada pelo tempo.
- O filme marcou um dos primeiros papéis de destaque de Daphne Zuniga. Ela relatou em entrevistas posteriores que trabalhar com Lucille Ball foi uma experiência intimidadora, mas uma verdadeira "escola" de ética de trabalho.
- Apesar de uma carreira de 50 anos focada quase inteiramente na comédia, Stone Pillow foi o único filme puramente dramático que Lucille Ball fez para a televisão.
- Na noite de estreia nos EUA, o filme dominou a audiência. Embora alguns críticos estivessem céticos em ver "Lucy" sofrendo, a maioria se curvou à sua entrega física e emocional.
- A música do filme foi composta por Georges Delerue, um dos maiores nomes da história do cinema, o que deu ao filme uma atmosfera muito mais melancólica e cinematográfica do que a maioria dos filmes feitos para a TV na época.
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