NAFTASÉRIE... A FAMILIA SOPRANO

 

Antes de existirem anti-heróis “cool”, antes de a televisão descobrir que o público adorava personagens moralmente duvidosos e muito antes de maratonarmos séries em streaming como se fosse obrigação civilizatória… surgiu uma família ítalo-americana de Nova Jersey que mudou tudo.

E não, não estamos falando de gente simpática.

Estamos falando da ."FAMÍLIA SOPRANO: A Família Mais Perigosa da Televisão"

A série que fez o público torcer por mafiosos, discutir ataques de ansiedade em horário nobre e perceber que terapia podia coexistir com extorsão, assassinato e pratos gigantescos de macarrão.

Hoje, em mais uma edição da NAFTASÉRIE, vamos abrir os arquivos empoeirados da cultura pop para revisitar uma produção que redefiniu completamente a televisão moderna.

E convenhamos: depois de Tony Soprano… ninguém mais quis protagonista certinho.

“E se um mafioso estilo O Poderoso Chefão tivesse síndrome do pânico?”
O resultado?
Uma das melhores séries da história da televisão.

SINOPSE: Chefe da máfia e pai de família, Tony Soprano (James Gandolfini) começa a ter ataques de pânico e decide procurar a ajuda de uma profissional, Dra. Jennifer Melfi (Lorraine Bracco). Ele discute sua intimidade e a vida no crime, revelando o desconforto da mulher, Carmela Soprano (Edie Falco), com as suas atividades profissionais. Enquanto tenta proteger os filhos, Meadow (Jamie-Lynn Sigler) e Anthony Junior (Robert Iler), o mafioso irá enfrentar uma investigação federal e a possível traição de um membro da família.

Image

OPINIÃO

Família Soprano é aquela série que te ensina a amar alguém que, na vida real, você chamaria de criminoso ou até de monstro. Ver Tony Soprano, um patriarca carismático e moralmente falido, rodeado por um elenco que transforma violência e terapia em arte cotidiana, não é propriamente o que se procura para um bom entretenimento. Também não acho justo compará-la aos épicos da máfia clássica — O Poderoso Chefão é cinema em estado de hibernação majestosa, e antigas séries como O Homem da Máfia que têm aquele charme dos velhos seriados de TV, afinal Família Soprano joga com outras cartas.

Aqui a máfia não é mais uma tragédia greco-romana em ternos engomados: é burocracia emocional, reuniões no consultório do analista e crises familiares que se desenrolam entre um homicídio e outro. A escrita privilegia o íntimo — pequenas traições, humilhações e inseguranças — e faz da banalidade do mal a sua força: os diálogos revelam personagens inteiros em meia dúzia de linhas, e a direção sabe transformar um jantar em tensão pura.

O resultado é moderno, menos romanceado e muito mais humano: televisão que não quer apenas impressionar pela grandiosidade, mas incomodar com sinceridade. Se procura mitologia mafiosa imaculada, volte para os clássicos; se quer ver como o crime se adapta à vida contemporânea — com psiquiatras, contas a pagar e sentimentos contraditórios —, Família Soprano é quase um espelho desconfortável. E, claro, irresistivelmente viciante.

Image

Título: FAMÍLIA SOPRANO
Título Original: The Sopranos
Gênero: Série de TV/Drama/Máfia
País: EUA
Emissora: HBO
Ano: 1999-2007
Criação: David Chase
Roteiristas:
David Chase (30 episódios)
Terence Winter (25 episódios)
Robin Green (22 episódios)
Mitchell Burgess (22 episódios)
Matthew Weiner (12 episódios)
e outros
Direção:
Tim Van Patten (20 episódios)
John Patterson (13 episódios)
Allen Coulter (12 episódios)
Alan Taylor (30 episódios)
e outros
Elenco Principal:
James Gandolfini — Tony Soprano
Edie Falco — Carmela Soprano
Michael Imperioli — Christopher Moltisanti
Lorraine Bracco — Dr. Jennifer Melfi
Dominic Chianese — Corrado "Junior" Soprano
Steven Van Zandt — Silvio Dante
Tony Sirico — Paulie "Walnuts" Gualtieri
Robert Iler — A.J. Soprano
Jamie-Lynn Sigler — Meadow Soprano
Drea de Matteo — Adriana La Cerva
Vincent Pastore — Salvatore "Big Pussy" Bonpensiero
John Ventimiglia — Artie Bucco
Frank Vincent — Phil Leotardo
Tema de abertura: "Woke Up This Morning", por Alabama 3
Produtores executivos:
David Chase
Brad Grey
Robin Green (temporadas 2–6, parte 1)
Mitchell Burgess (temporadas 2–6, parte 1)
Ilene S. Landress (temporadas 4–6)
Terence Winter (temporadas 5–6, parte 2)
Matthew Weiner (temporada 6, parte 2)
Cinematografia:
Alik Sakharov
Phil Abraham
Editores:
Sidney Wolinsky
William B. Stich
Conrad M. Gonzalez
Episódios: 86, com duração média de 45 min, distribuídos em 6 temporadas.

Image

Hoje estamos acostumados com protagonistas questionáveis (até super-heróis vivem quebrando códigos morais sem cerimônia), mas em 1999 isso ainda era arriscado.

Executivos de TV acreditavam que o público precisava “gostar” moralmente do protagonista.

Então Tony Soprano apareceu estrangulando gente… e o público ficou fascinado.

A grande sacada da Família Soprano foi mostrar um personagem simultaneamente:

  • brutal;
  • carismático;
  • engraçado;
  • vulnerável;
  • cruel;
  • humano.

Tony podia mandar matar alguém de manhã…
… e à noite discutir faculdade da filha no jantar.

Essa dualidade virou a assinatura da série.

E da televisão moderna.

Image

CURIOSIDADES 
  • Tony Soprano quase foi outra pessoa... David Chase (criador da série) inicialmente cogitou atores mais “tradicionais” para o papel principal. Mas James Gandolfini trouxe algo raro: uma mistura de ameaça física e fragilidade emocional. Era impossível ignorá-lo em cena.
  • O elenco tinha conexões reais com descendência italiana... Boa parte do elenco possuía fortes raízes ítalo-americanas, algo que ajudou enormemente na autenticidade da série. As conversas pareciam naturais. Os almoços pareciam reais. As discussões familiares também. E as refeições davam fome em níveis criminosos.
  • A abertura virou um ícone cultural... A sequência de Tony dirigindo por Nova Jersey ao som de “Woke Up This Morning” se tornou uma das aberturas mais famosas da TV. Ela ajudava a estabelecer exatamente o que a série queria ser:
    • urbana;
    • melancólica;
    • violenta;
    • e estranhamente íntima.

Image

A HBO ANTES E DEPOIS DA FAMÍLIA SOPRANO

Hoje a HBO é sinônimo de séries grandiosas.

Mas no final dos anos 90 ela ainda buscava identidade no universo das produções dramáticas.

Os Sopranos praticamente redefiniu o canal.

O sucesso abriu caminho para produções como:

A ideia de que televisão podia ter qualidade cinematográfica ganhou força ali.

Muita gente considera a Fanília Soprano o verdadeiro início da chamada:
“Era de Ouro da TV”.

E honestamente?
É difícil discordar.

Image

O quinto episódio da primeira temporada é frequentemente citado como um divisor de águas da TV.

Nele, Tony leva Meadow para visitar faculdades enquanto caça um ex-mafioso delator.

O episódio mostrou, sem suavizações, que o protagonista era capaz de matar friamente alguém… e ainda assim continuar emocionalmente envolvente para o público.

A televisão percebeu naquele momento que anti-heróis podiam funcionar.

Muito.

EPISÓDIO DE HOJE — COLLEGE: Quando OS SOPRANOS mostraram até onde a TV podia ir

Image


Espero que tenhamos conseguido, ainda que de forma modesta, trazer a memória dos mais antigos um pouco da emoção dos velhos tempos e aos mais novos uma boa amostra do que tínhamos no passado.

Gostou de nossa postagem? 

Então junte-se a nós! Siga o nosso blog e junte-se a nós em nosso grupo no Facebook. 
Faça parte da família "Memória Magazine", inteiramente dedicada a relembrar coisas boas e curiosas do passado. Ajudando alguns a reviverem boas lembranças e outros a conhecer a origem do que se vê hoje nos quadrinhos, nas animações e nos filmes...

TALVEZ SE INTERESSE EM LER TAMBÉM: 

Postar um comentário

0 Comentários