Se existe um filme que praticamente virou “patrimônio cultural” das tardes brasileiras, esse filme é Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu!. Presença constante na clássica Sessão da Tarde, ele não apenas arrancou gargalhadas — ele moldou o humor de toda uma geração. Era o tipo de filme que, mesmo reprisado inúmeras vezes, nunca perdia a graça. O longa é pura tiração de sarro com o cinema catástrofe, muito em voga nos anos 1970, em especial a franquia Aeroporto (1970, 1974, 1977 e 1979). Bastava ouvir a trilha ou ver o avião na tela… e lá vinha mais uma sessão de risadas garantidas.
Mas por trás desse fenômeno televisivo existe uma produção extremamente inteligente, que revolucionou o gênero da comédia e ainda gerou uma sequência curiosa — embora bem menos celebrada.
SINOPSE: O piloto Ted Striker (Robert Hays), ex-combatente de guerra, é forçado a assumir os controles de um avião quando a tripulação sucumbe à comida contaminada. Elaine (Julie Hagerty), sua namorada, tem de ser aeromoça e co-piloto. Juntos, eles vão tentar salvar os passageiros e terminar o voo com sucesso, mas existe um problema: ele é neurótico.
O que poderia ser um suspense vira um festival de humor nonsense, piadas visuais e trocadilhos — muitos deles praticamente ininterruptos ao longo de toda a projeção.
A Dança dos Vampiros (The Fearless Vampire Killers)1967
Dirigido por Jim Abrahams, David Zucker e Jerry Zucker Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu! surgiu como uma paródia direta dos filmes-catástrofe dos anos 70, especialmente os dramas aéreos. Desde os cinemas, o longa já foi um enorme sucesso, desbancando pesos pesados como Popeye, Flash Gordon e O Iluminado, lançados no mesmo ano, se tornando o quinto filme mais lucrativo nas bilheterias em 1980.
Um sucesso imediato de crítica e público, arrecadando mais de US$ 83 milhões com um orçamento de apenas US$ 3,5 milhões, além de se tornar uma das comédias mais influentes de todos os Tempos.
Mais do que um filme, virou experiência coletiva: assistir, rir, comentar no dia seguinte — e assistir de novo quando reprisava.
O mais curioso é que o filme parece funcionar ainda melhor a cada nova revisita. Sempre existe uma gag visual que passou despercebida, um diálogo nonsense mais engraçado ou alguma referência aos filmes-catástrofe dos anos 70 que ganha outro peso depois de adulto. Poucas comédias conseguem manter esse frescor por tanto tempo, mas “Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu!” continua divertidíssimo justamente porque abraça o absurdo sem medo.
Além do humor, existe também o fator nostálgico. Para muita gente, o filme virou praticamente um símbolo da própria Sessão da Tarde, daqueles clássicos que você assistia mesmo sabendo as piadas de cor. Hoje vejo que o cinema me apresentou ao filme, mas foi a televisão que realmente transformou essa comédia em um clássico inesquecível da minha vida.
CURIOSIDADES
O roteiro reutiliza várias falas e situações do filme sério Zero Hora! (1957), praticamente como uma “cópia cômica”.
O humor foi construído com atores conhecidos por papéis dramáticos — o que aumentava ainda mais o efeito cômico.
Leslie Nielsen reinventou sua carreira aqui, tornando-se ícone da comédia.
A trilha de Elmer Bernstein foi propositalmente épica para contrastar com o absurdo.
O filme foi rodado com orçamento baixo, mas teve retorno gigantesco (mais de 20 vezes o investimento).
A cena da “fila para bater na passageira histérica” virou uma das mais icônicas da história do cinema.
Algumas piadas acontecem simultaneamente no fundo das cenas — exigindo múltiplas revisões para perceber tudo.
O ritmo do filme é tão acelerado que há, em média, uma piada a cada poucos segundos.
O personagem de Kareem Abdul-Jabbar brinca com sua identidade real — algo incomum para a época.
O filme foi incluído no Registro Nacional de Filmes dos EUA por sua importância cultural
Pouca gente lembra — mas o sucesso gerou uma continuação: Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu 2, lançada em 1982.
Desta vez, a história abandona os aviões e parte para o espaço, acompanhando um voo rumo à Lua que sai do controle. A premissa mantém o estilo de paródia, agora voltado à ficção científica.
Dados da sequência:
- Direção e roteiro: Ken Finkleman
- Produção: Howard W. Koch
- Trilha sonora: Elmer Bernstein e Richard Hazard
- Elenco: Robert Hays, Julie Hagerty, Lloyd Bridges, William Shatner
Apesar do retorno de boa parte do elenco, os criadores originais não participaram do projeto — e isso fez diferença.
O filme teve recepção mista e desempenho bem inferior ao original, arrecadando cerca de US$ 27 milhões contra um orçamento de US$ 15 milhões. Ainda assim, é uma curiosidade interessante dentro da franquia e também passou algumas vezes na TV brasileira.
Mas no Brasil, seu legado é ainda mais especial: ele se tornou um símbolo da era de ouro da TV aberta. Um daqueles filmes que não pertencem apenas ao cinema — pertencem à memória afetiva.
E mesmo com uma sequência que não alcançou o mesmo brilho, o original segue firme… pronto para decolar mais uma vez — sempre que alguém apertar o “play” da nostalgia.
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- Sessão da Tarde | AS 7 FACES DO DR LAO (7 Faces of Dr. Lao) - 1964
- Papo de Cinema: O NOME DA ROSA (Der Name der Rose) 1986
- Papo de Cinema: O ÚLTIMO DRAGÃO (The Last Dragon) 1985
- Papo Furado: O MASKARA (The Mask) 1994
- Sessão da Tarde: OS TITÃS VOLTAM A LUTA EM ATLÂNTIDA (1978)
- Sessão da Tarde: O FANTASMA DO BARBA NEGRA (1968)
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