FILMES INESQUECÍVEIS... A PAIXÃO DE CRISTO


Se existe um filme que continua provocando conversas intensas mesmo após tantos anos, esse título certamente é A PAIXÃO DE CRISTO. Dirigido, roteirizado e produzido por Mel Gibson, o longa se consolidou como um marco não apenas pelo impacto visual de sua narrativa, mas também pelas polêmicas que o cercaram desde o lançamento. Entre elogios e críticas, destacam-se tanto a forma crua com que o sofrimento de Jesus é retratado quanto as discussões levantadas sobre a representação de figuras religiosas no enredo. Ainda assim, nada disso foi capaz de frear o enorme sucesso que o filme alcançou ao redor do mundo. Quer entender por que essa obra ainda dá tanto o que falar? Então prepare-se para mergulhar em curiosidades e bastidores que fazem dela um verdadeiro fenômeno.

SINOPSE: A trama acompanha as horas finais de Jesus de Nazaré, interpretado por Jim Caviezel, desde o momento de sua traição por Judas Iscariotes até sua condenação. Capturado durante a noite no Monte das Oliveiras por guardas a serviço das autoridades religiosas, lideradas por Caifás, ele é submetido a violentos maus-tratos antes de ser levado ao julgamento sob o poder romano.

Diante de Pôncio Pilatos, vivido por Hristo Shopov, surge o impasse: o governador não identifica culpa que justifique a execução, mas enfrenta crescente pressão das lideranças judaicas e da multidão. Na tentativa de evitar uma decisão definitiva, Pilatos encaminha o caso a Herodes Antipas, que também não vê motivo para condenação e devolve o prisioneiro.

De volta ao seu tribunal, Pilatos se vê cada vez mais encurralado pela instabilidade política e pelos clamores populares por crucificação. Mesmo relutante, ele acaba cedendo, enquanto sua esposa, Claudia Gerini, manifesta inquietação ao acreditar que Jesus seja, de fato, o Messias prometido.

"Este é um filme sobre amor, esperança, fé e perdão. Ele [Jesus] morreu por toda a humanidade, sofreu por todos nós. É hora de voltar para a mensagem básica. O mundo ficou louco. Todos nós poderíamos usar um pouco mais de amor, fé, esperança e perdão." - Mel Gibson


Título: A PAIXÃO DE CRISTO
Título Original: The Passion of the Christ
Ano: 2004
País: EUA
Duração: 126 min.
Produtor/Diretor: Mel Gibson
Produção Geral: Bruce Davey / Stephen McEveety
Roteiro: Mel Gibson / Benedict Fitzgerald
Baseado no texto bíblico do Novo Testamento e no livro: "A Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo", de Anna Catarina Emmerich
Elenco Principal:
- James Caviezel como Jesus Cristo
- Maia Morgenstern com Maria
- Monica Bellucci como Maria Madalena
- Hristo Jivkov como João
- Hristo Shopov como Pôncio Pilatos
- Francesco DeVito Saint como Simão Pedro
- Mattia Sbragia Yosef como Caifás
- Luca Lionello como Judas Iscariotes
- Claudia Gerini como Claúdia Prócula
- Rosalinda Celentano como Satanás
- Giacinto Ferro como José de Arimateia
- Luca De Dominicis como Herodes Antipas
- Chokri Ben Zagden como Tiago
- Pietro "Pedro" Sarubbi como Barrabás
- Sabrina Impacciatore como Verônica
- Sergio Rubini como Dimas
- Jarreth Merz como Simão Cireneu
- Danilo Maria Valli como Lázaro
Música: John Debney
Cinematografia: Caleb Deschanel
Edição: John Wright
Companhia produtora: Icon Productions
Orçamento:   US$ 45 milhões
Arrecadação: US$ 612 milhões


INDICAÇÕES & PRÊMIOS:

Oscar 2005 (EUA)
- Indicado nas categorias de melhor fotografia, melhor maquiagem e melhor trilha sonora original.

MTV Movie Awards 2005 (EUA)
- Indicado na categoria de melhor ator (Jim Caviezel).

People's Choice Awards 2005 (EUA)
- Escolhido como o filme dramático favorito.

Satellite Awards (EUA)
- Venceu na categoria de melhor diretor (Mel Gibson).

Sindacato Nazionale Giornalisti Cinematografici Italiani 2005 (Itália)
- Venceu nas categorias de melhor fotografia e melhor cenografia.

Prêmios del Círculo de Escritores Cinematográficos (Espanha)
- Venceu na categoria de melhor filme estrangeiro.


OPINIÃO:

Falar sobre A Paixão de Cristo é encarar uma obra que dificilmente passa despercebida — e, na minha avaliação, ela merece um sólido 9 de 10. Trata-se de um filme poderoso, que provoca reações intensas e, por vezes, desconfortáveis, conduzindo o espectador a uma experiência emocional profunda enquanto flerta com reflexões sobre o divino, o sofrimento e o sentido da fé. Sob o comando de Mel Gibson, a narrativa mergulha nas horas finais de Jesus com uma abordagem visceral, destacando não apenas os acontecimentos centrais, mas também o peso simbólico de cada momento até o Calvário.

Ao mesmo tempo, é impossível ignorar que se trata de uma produção que abre espaço para críticas consistentes. O filme carrega a marca autoral de seu diretor, apresentando uma leitura própria dos relatos bíblicos — o que significa que não estamos diante de uma reprodução fiel das Escrituras, mas de uma interpretação artística que enfatiza determinados aspectos em detrimento de outros. Esse ponto, inclusive, enfraquece sua possível proposta evangelística, já que o anúncio da fé cristã, em seu sentido mais clássico, está diretamente ligado à mensagem bíblica em sua essência. Ainda assim, a obra demonstra clara afinidade com valores cristãos e dialoga com eles de maneira significativa.

Mesmo com essas ressalvas, o impacto do longa é inegável. As cenas marcantes, somadas às atuações intensas — especialmente a de Jim Caviezel — constroem uma experiência cinematográfica difícil de esquecer. Não por acaso, décadas após seu lançamento, o filme segue sendo tema de debates acalorados, o que evidencia sua relevância no cenário contemporâneo do cinema.

No fim das contas, mais do que um filme religioso, “A Paixão de Cristo” se estabelece como uma obra singular, que ultrapassa rótulos e se firma como um marco artístico. É tecnicamente bem executado, emocionalmente impactante e capaz de conduzir o público a uma jornada intensa de reflexão sobre fé, dor e redenção — elementos que continuam ressoando muito além da tela. 


CURIOSIDADES:

  • Não foram poucas as vezes que o cinema adaptou a vida (e a morte) do Senhor Jesus. O Rei dos Reis (1961), de Nicholas Ray, O Evangelho Segundo São Mateus (1964), de Pier Paolo Pasolini, A Maior História de Todos os Tempos (1965), de George Stevens, Jesus de Nazaré (1977), de Franco Zeffirelli, A Última Tentação de Cristo (1988), de Martin Scorsese… muitos foram os filmes (bons e ruins) que retrataram a jornada de Jesus Cristo, mas nunca antes uma produção cinematográfica havia alcançado o grau de realismo na representação do sofrimento e de qualidade na reconstituição histórica daquele período que Mel Gibson foi capaz de atingir com A Paixão de Cristo, em 2004.
  • Mel Gibson financiou o filme com seu próprio dinheiro (US$ 45 milhões), pois teve dificuldade em encontrar um estúdio disposto a apoiar o projeto devido ao seu conteúdo controverso. Apesar disso, o filme arrecadou mais de US$ 600 milhões em todo o mundo, tornando-se um dos filmes independentes de maior bilheteria de todos os tempos. 
  • O filme foi proibido no Kuwait e no Bahrein e tentativas judiciais de conseguir a sua retirada dos cinemas se espalharam pelo mundo ocidental – sem sucesso. Antissemita, fascista, sadomasoquista, fundamentalista: sobraram acusações contra a obra – e também sobre seu autor, costumeiramente chamado de “fundamentalista católico” na grande imprensa –, condenada por vários líderes judaicos, católicos e protestantes, pensadores esquerdistas e jornalistas do mundo inteiro. A Paixão de Cristo polarizou as críticas cinematográficas. 

  • Inicialmente o título original do filme seria "The Passion". Entretanto, como este título já havia sido registrado pela Miramax Films, ele foi posteriormente alterado para "The Passion of the Christ".
  • Mel Gibson e Benedict Fitzgerald, roteiristas do longa, disseram que eles leram muitos relatos da Paixão de Cristo para a inspiração, incluindo os escritos de devoção dos místicos católicos romanos. A fonte principal é A Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, da freira alemã Anne Catherine Emmerich (1774–1824). Alguns críticos afirmam que há um alto nível de dependência do roteiro do filme nele.

  • Entre as passagens extraídas do livro de Emmerich estão as cenas da suspensão de Jesus a partir de uma ponte depois de sua prisão pelos guardas do templo, o tormento de Judas por demônios depois que ele entregou Jesus ao Sinédrio, a limpeza acima do sangue de Jesus depois de sua flagelação, e o deslocamento do ombro de Jesus, de modo que a palma da mão alcançasse o buraco furado na cruz.
  • Ao incorporar Jesus Cristo, Jim Caviezel experienciou uma verdadeira provação. Além da preparação dedicada, que envolveu aprender a falar aramaico, latim e hebraico, o ator acabou se machucando algumas vezes durante as filmagens: deslocou o ombro ao carregar a cruz, foi atingido por chicotadas — que lhe rendeu uma ferida de 35 centímetros –, teve enxaquecas, hipotermia e pneumonia. Devido a alertas médicos, Mel Gibson chegou a sugerir que o processo fosse menos bruto, mas o ator preferiu seguir em frente. Para completar a lista, Caviezel foi atingido por um raio, mas não se feriu.
  • Depois de encenar o martírio sofrido por Jesus, Jim Caviezel relata que sentiu uma espécie de chamado. Conforme contou em entrevistas, ele teria percebido ao longo da produção que sua chance de atuar no papel não se tratava apenas de um trabalho, mas de um convite divino para se aproximar da figura de Cristo. Como resultado, Caviezel se tornou palestrante religioso. O ator também afirma que Gibson o alertou de que, se aceitasse o papel, ele nunca mais trabalharia em Hollywood — Caviezel, de fato, não teve outros papéis nos grandes estúdios  desde então. Nos últimos anos, o ator ressurgiu nos holofotes por suas declarações  ligadas aos ideais conservadores de direita.

  • As iniciais de Jesus Cristo e Jim Caviezel são as mesmas, JC. Curiosamente, quando estava envolvido com o filme A Paixão de Cristo, Caviezel tinha a mesma idade que Jesus tinha quando foi crucificado, 33 anos.
  • O filme foi produzido em aramaico, latim e hebraico antigo, com legendas em inglês e outros idiomas. Isso foi feito para aumentar a autenticidade histórica da narrativa.
  • O Longa foi gravado de forma independente na Itália – nos estúdios da Cinecittà Studios em Roma e na região da Basilicata, em Sassi di Matera, centro histórico da cidade de Matera, classificado como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1993, por suas cavernas e arquitetura de pedra única e em Craco, uma cidade fantasma desde a década de 1980. Locais exóticos que proporcionaram um cenário autêntico para recriar os eventos bíblicos.
  • Na cena de abertura definido no Jardim de Getsêmani, Jesus esmaga a cabeça de uma serpente em alusão visual direto para Gênesis 3:15.
  • No filme, a tábua pregada na Cruz com a inscrição "Jesus de Nazaré Rei dos Judeus", está escrita apenas em duas línguas (apesar de ocupar três linhas) enquanto que os Evangelhos referem que esta estava escrita em três línguas.


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