Imagine descobrir uma substância cremosa, branca, deliciosa… sem calorias… e altamente viciante. Agora imagine que ela começa a comer você por dentro. Essa é a premissa absurda — e irresistível — de The Stuff (ou simplesmente A Coisa, como ficou conhecido no Brasil), um daqueles filmes que só poderiam ter nascido nos anos 80: exagerado, estranho, crítico… e deliciosamente “trash”.

Se você gosta de cinema B, efeitos especiais duvidosos e críticas sociais disfarçadas de bizarrice, prepare-se: este é um prato cheio. Ou melhor… um pote cheio.

Lançado em 1985 e dirigido por Larry Cohen, o filme mistura terror, ficção científica e comédia em uma trama que não se leva totalmente a sério — mas também não é tão boba quanto parece.

A história começa quando trabalhadores encontram uma substância branca borbulhando do chão. Eles provam… e pronto: nasce o produto mais viciante do planeta. Comercializado como uma sobremesa milagrosa, o “Stuff” rapidamente se torna febre nacional, ameaçando até a indústria do sorvete. 

Trash Movie | A COISA (The Stuff) - 1985

Mas há um pequeno problema: essa gosma deliciosa é, na verdade, um organismo vivo que controla e devora seus consumidores por dentro, transformando-os em criaturas vazias e sem vontade própria. 

Trash? Sem dúvida. Genial? Em vários momentos, também.


Com um orçamento modesto de cerca de US$ 1,7 milhão, "A Coisa" é o típico exemplo de como a falta de dinheiro pode ser compensada com criatividade — ou, pelo menos, com ousadia. 

As filmagens aconteceram em locações como Nova York e Los Angeles, e o filme passou por cortes significativos para ganhar ritmo, já que sua versão original era mais longa e complexa. 

E claro: os efeitos especiais… bem, eles são um espetáculo à parte — e não necessariamente no bom sentido.


Aqui é onde o charme trash realmente brilha:
  • Para simular a criatura, a produção usou de tudo: iogurte, sorvete, purê de batata e espuma de extintor

  • Em algumas cenas, foi utilizada uma mistura feita com ossos de peixe triturados — que cheirava tão mal que os atores corriam para se lavar após as gravações. 

  • Bonecos e próteses grotescas foram usados para mostrar pessoas sendo “consumidas” por dentro. 

  • Uma sequência envolvendo uma avalanche da substância exigiu truques simples e efeitos práticos bem improvisados. 

Resultado: cenas que hoje parecem quase cômicas — mas que carregam um charme nostálgico irresistível.

Apesar da aparência de filme tosco, The Stuff tem uma camada de crítica social surpreendentemente relevante.

Larry Cohen criou a história como uma sátira ao consumismo desenfreado e à indústria alimentícia, levantando uma pergunta incômoda:
"Até que ponto confiamos no que consumimos?" 

A ideia de um produto irresistível, amplamente divulgado e potencialmente destrutivo ecoa debates atuais sobre ultraprocessados, marketing agressivo e hábitos de consumo.


O filme conta com nomes como Michael Moriarty e Paul Sorvino, que entregam atuações que variam entre o exagerado e o completamente estranho — o que, curiosamente, combina perfeitamente com o tom da obra. 

Aliás, esse é um dos pilares do cinema trash: atuações canastronas que acabam se tornando parte do charme.

Por que ainda vale a pena assistir?

Porque poucos filmes conseguem equilibrar tão bem:

  • Horror absurdo

  • Humor involuntário (ou talvez intencional?)

  • Crítica social

  • Efeitos especiais duvidosos

  • E uma ideia central completamente insana

A COISA não é só um filme ruim — é um daqueles casos raros de “ruim do jeito certo”, que se transformam em cult com o passar do tempo.

Assistir a The Stuff é como experimentar um doce estranho: você sabe que não é lá essas coisas… mas não consegue parar.

Entre efeitos improvisados, atuações exageradas e uma premissa totalmente absurda, o filme se firma como um clássico do cinema trash dos anos 80 — daqueles que a gente ri, estranha… e acaba lembrando com carinho.

Só fica o aviso:
Da próxima vez que você vir uma sobremesa “milagrosa” no mercado… talvez seja melhor pensar duas vezes. 😁


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