FILMES INESQUECÍVEIS: "MATAR OU MORRER" - FAROESTE EM TEMPO REAL!

 Quando se fala em 'faroeste' muita gente acha ruim ou ultrapassado. Porém, muitos dos filmes do genero traz inúmeras críticas sociais. Por exemplo: o que pensar de uma cidade que sabe que uma pessoa esta em risco iminente; que quatro homens chegarão ao meio-dia para matar esta pessoa. E ninguém faz nada para ajudar! Revoltante? Justificável? Bem, o cinema explorou o assunto em um western super clássico chamado "MATAR OU MORRER". Um filme que inova em muitas coisas. E claro, vamos falar sobre ele em nossa matéria de hoje! 




Antes de dizer qualquer coisa sobre este filme vamos mostrar suas credenciais:


- Está no livro '1001 Filmes para se Ver Antes de Morrer'. Está entre os 51 westerns do livro '501 Must-see Movies'. Está entre os 5 westerns do livro 'Hollywood Picks the Classics'. A edição de colecionador está no "1.000 Best Movies on DVD". Está em segundo lugar entre os 10 melhores westerns do American Film Institute (o primeiro é "Rastros de Ódio/The Searchers", de John Ford, de 1956). Está entre os 130 melhores filmes segundo a votação popular no IMDB.

- Foi indicado a sete Oscars, levou quatro – ator para Gary Cooper, montagem, canção original (Dimitri Tiomkin e Ned Washington) e trilha sonora. Teve outros 11 prêmios e oito indicações. Entre esses outros prêmios, levou os Globos de Ouro por ator em drama para Gary Cooper, atriz coadjuvante para Katy Jurado, fotografia em preto-e-branco e trilha sonora.

Agora sim, podemos falar sobre ‘Matar ou Morrer’, um filme que ouso dizer que pode ser considerado uma obra prima dentro de seu gênero, especialmente porque não é apenas um western, mas também um símbolo de uma época nos EUA que poucos gostam de falar. 


O próprio IMDB fala o seguinte sobre ele: “O filme foi feito para ser uma alegoria mostrando que muitas pessoas em Hollywood não se opuseram ao Comitê sobre as Atividades Ante Americanas do Congresso, durante a época da caça às bruxas do senador Joseph McCarthy.” E o próprio IMDB informa que o roteirista Carl Foreman entrou na lista negra do comitê logo após o lançamento do filme; na verdade, ele já havia se exilado na Inglaterra quando o filme foi finalizado.



Mas, deixando-se de lado estas questões politicas e sociais, o filme tem muitos outros atrativos para nós meros cinéfilos amadores. Como por exemplo, ser o primeiro western (se não for o primeiro, um dos primeiros) a ser rodado em TEMPO REAL, ou seja, cada minuto do filme corresponde a cada minuto de quem assiste. E o diretor para pontuar isto colocou um relógio em pontos estratégicos da tela, para que possamos acompanhar a ação e a terrível situação em que esta o xerife Kane.




O diretor estava com ‘a corda toda’ por isto também fez uma sensacional tomada na hora do clímax da chegada do matador e o conflito final, que mostra toda a solidão do xerife. Ele dá um close no bandido e vai afastando a câmera de modo que o quadro abranja também o xerife, dai a camera vai subindo, subindo, subindo, até vermos o xerife completamente sozinho nas ruas desertas da cidade caminhando em direção a seu destino. 




Outros detalhes também podem ser observados, o pedido desesperado de ajuda do xerife e a indiferença (medo) dos homens da cidade, o apoio da única pessoa da cidade (uma ex-namorada) que não pode ajuda-lo, o melhor amigo (seu ajudante) que lhe vira as costas, e muito mais.


Ex-namorada disposta a ajudar. Melhor amigo e ajudante 'roendo a corda'....

Quando assisti a primeira vez todas estas nuances só me deixaram com raiva das pessoas da cidade, eu ignorava o contexto. Mais tarde é que pude entender o que era mostrado. O que víamos ali era o retrato da sociedade naquela época especifica e infelizmente também de nossos dias. 

Ainda hoje as pessoas são manipuladas pela propaganda, por informações falsas ou enganosas da internet. Ainda hoje as pessoas se preocupam apenas consigo mesas,  esquecendo que um dia quem lhe pede ajuda, foi importante para elas. Enfim, é um filme a ser assistido, tendo-se em mente o que procura retratar, e não apenas pela diversão. Ele até funciona como mero entretenimento, mas seria uma pena você não fazer as analises paralelas do que vê.

A história...


Will Kane, o delegado de Hadleyville, se casou com a 'quaker' Amy e se prepara para mudar da cidade. Mas durante os preparativos da mudança, é ouvido na cidade que Frank Miller, um homem que Kane havia prendido, saiu da prisão e chegará no trem do meio-dia para se vingar. A gangue de Miller o espera na estação para ajudá-lo a cumprir seu desejo de desforra contra Kane.




Kane e sua esposa deixam a cidade, mas logo ele resolve voltar, perturbado pela sua consciência. Kane espera que seus amigos e moradores o ajudem contra a gangue de quatro homens. Mas para sua surpresa, ninguém quer se envolver na rixa. Até mesmo seu melhor amigo e auxiliar, Harvey Pell, o deixa sozinho. Sua esposa ameaça ir embora sem ele.

Apenas a ex-namorada Helen Ramírez, procura ajudar Kane. Enquanto Kane procura ajuda desesperadamente, o tempo vai passando... No clímax da história, Kane parte para o confronto final com os quatro homens




CURIOSIDADES:

John Wayne criticou o filme e numa entrevista a Playboy de 1971, disse que "High Noon" (Matar ou Morrer) era "the most un-American thing I've ever seen in my whole life" (A coisa mais ante americana que já assisti em toda a minha vida). Um detalhe: John Wayne chegou a 'entregar' alguns colegas as autoridades durante o período de 'caça às bruxas' da era McCarthy...

Howard Hawks teria filmado "Rio Bravo" como uma resposta a "Matar ou Morrer". Neste filme, o xerife (John Wayne) é ajudado por um pistoleiro bêbado (Dean Martin) a enfrentar uma situação igualmente difícil.

• Em 1980 foi feito um filme para a TV, "High Noon Part II: The Return Of Will Kane" , (A Volta de Will Kane) com Lee Majors.

• O filme de ficção científica de 1980, "Outland", com Sean Connery, baseia-se em High Noon.

• Em 1954 foi feito um filme no Brasil que é uma parodia de  "Matar ou Morrer". Chamava-se "Matar ou Correr" e fez muito sucesso. Era estrelado por  Oscarito & Grande Otelo.

• O personagem Will Kane foi inicialmente oferecido pelo produtor Stanley Kramer ao ator Gregory Peck, que o recusou por considerá-lo muito parecido com o papel que fizera em "O Matador" (1950).

• O ator Lee Van Cleef não tem um único diálogo durante todo o filme.

• Refilmado para a TV  como “A vingança de um pistoleiro” em 2000.

‘Bater ou Correr’ com Jack Chan não tem nada a ver com este filme. Somente no Brasil resolveram fazer o ‘trocadilho’ com o nome. 

• O filme foi gravado originalmente em preto e branco, mas pode ser encontrado ‘colorizado’.

Conteúdo surpresa...


Como sempre nossas matérias  vem com aquele 'algo à mais'... Estamos enviando links para que vocês leitores, possam assistir a este clássico; sua continuação para a TV; sua refilmagem de 2000 e também sua versão nacional "Matar ou Correr"...Divirtam-se!




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